Nomadland

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Nomadland pode não parecer, mas é um filme sobre a família. Fern (Frances McDormand) sabe que a verdade se encontra naquele velho ditado que diz: padre e parente só enche o saco da gente. Por isso, quanto mais distante ela ficar da sua família, melhor. Nem que para isso tenha de pegar uma van caindo aos pedaços e sair feito uma nômade pelos Estados Unidos.

O filme é seco. Sem muitas firulas tem um estilo muito próximo de um documentário. Mas isso faz parte do estilo da diretora Chloé Zhao. A trama mostra que após o colapso econômico de uma colônia industrial na zona rural de Nevada (EUA), a cidade fica vazia e o seu CEP é cancelado. Sem alternativas, Fern (Frances McDormand) reúne suas coisas em uma van e parte rumo a uma viagem pelos Estados Unidos.

Mas muita calma nessa hora. Esse não é um filme sobre turismo. Fern vai sobrevivendo no limite. Sem dinheiro e, digamos assim, com uma idade avançada para o mercado de trabalho, pega qualquer tarefa que aparecer. Até mesmo embalar pacotes na Amazon. Nitidamente, trabalha por um prato de comida e um galão de gasolina.

Até que conhece algumas companheiras que apresentam a ideia de um tipo de vida nômade. A ideia é fugir dos constrangimentos impostos pela “tirania no dólar”. Ou seja, nada de viver com dívidas, nada de viver consumindo qualquer refeição que não venha de dentro de um lata. Fern conhece o guru desse tipo de vida: Bob Wells. Ele, inclusive, é autor do manual “Como Viver em um Carro, Van ou Trailer e Sair da Dívida – Viaje e Encontre a Verdadeira Liberdade”.

Fern até recebe carinho e atenção de Dave (David Strathairn), mas não há espaço para romance. Ele decide sair da estrada e cuidar do seu neto. Viver o que resta da sua vida em uma casa confortável. E convida Fern. Mas ela percebe que, se resolvesse parar e se estabelecer, teria de aturar outra família. Então diz que vai comprar cigarros e mete o pé no acelerador (o que é apenas uma metáfora, pois a sua van dificilmente passaria dos 60Km/h).

O filme é baseado no livro Nomadland: Surviving America in the Twenty-First Century de Jessica Bruder. A ideia defendida pela diretora Chloé Zhao é que esse estilo nômade faz parte da origem dos Estados Unidos, com os colonos percorrendo as terras americanas em busca de sonhos de prosperidade. Bem, Fern faz o mesmo caminho, mas só encontra pobreza. Nomadland é definitivamente um filme engajado.

Ainda assim, sempre há um emprego disponível. Pode ser escroto e pagar mal, mas a mostra que a economia norte-americana segue funcionando. O Brasil não adotou o estilo de vida nômade por que durante muito tempo a única van disponível no Brasil era a Kombi. Então, se não dava para ir até a esquina o que dirá até outra cidade...

J. Tavares

P.S. - Fern cumpre com dedicação a sua meta de distanciamento social. Certo, há alguma aglomeração aqui e ali, mas ela segue firme no caminho de evitar contato com outros seres humanos. Nomadland é candidato a ganhar um selo de aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

(Nomadland, EUA, 2020), Direção: Chloé Zhao, Elenco: Frances McDormand, David Strathairn, Linda May, Charlene Swankie, Bob Wells, Duração: 108 min.

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