Bacurau

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O diretor Kleber Mendonça fez - ou tentou fazer - em Bacurau, o filme da era Bolsonaro. Mas não necessariamente pelos motivos corretos. Na verdade, ele podia ter investido mais no aspecto de filme B e com um pouco de esforço (e quem sabe um número musical do É o Tchan) teria feito um trash movie de respeito.

O filme começa com drones no céu e um caminhão-pipa que avança atropelando caixões pelo caminho. Ao chegar em Bacurau, uma cidade que não está no mapa, segue o clima bizarro. O vilarejo conta com caixões que jorram água, pílulas esquisitas e muita gente com problemas. É uma inspiração no realismo fantástico. Só faltou um poster de 100 Anos de Solidão...

O professor Plinio (Wilson Rabelo) explica que o nome da cidade se deve a um pássaro "brabo" de hábitos noturnos. Mas apesar da situação de penúria e medicância, a cidade tem uma médica Domingas (Sônia Braga). Viu? Quem precisa de médicos cubanos? Teresa (Barbara Colen) retorna ao município para o enterro de sua vó. Rapidamente se envolve com Acacio (Thomas Aquino). Apesar disso, o romance não é o foco de Bacurau.

Os moradores vivem em um estado de pobreza. A cidade não tem água (por isso o caminhão pipa). Porém, são ariscos e não confiam nos políticos. Chegam a se esconder quando o prefeito Tony Jr. (Thardelly Lima), em campanha pela reeleição, aparece no local. Nem dá para fazer discurso porque não encontra ninguém. Revoltado, despeja livros velhos em frente à escola local.

Só que Bacurau vai trocando de gêneros como a Gretchen troca de marido. Vira um faroreste, vira terror e finalmente vira uma caçada humana com a chegada de Michael (Udo Kier). Um sujeito empreendedor que trabalha com um tipo especial de turismo. Só não faz mais sucesso porque os preços são de matar...

Então, o vilarejo sente que precisa reagir ao perigo e entra em contato com dois cangaceiros procurados Pacote (Thomas Aquino) e Lunga (Silvero Pereira). Ou seja, não tem essa de paz e amor. Hippies, de fato, não ajudam muito na hora do tiroteio. A bandidagem abraça a ideia e vai ajudar na resistência do povoado. Justamente nesse ponto surge o grande erro de Bacurau...

Bem, a crítica achou que esse era outro filme de resistência com o Brasil correndo o imperialismo ianque na base do tiro. Sim, tem um museu de armas em Bacurau. E, de repente, tudo mundo na cidade está atirando para matar. Mas muita calma nessa hora... Não era o Bolsonaro um grande defensor do porte de armas? Se Bacurau não estivesse fortemente armada e com farta munição os gringos tinham vencido a peleia!

Tipo, esse é o primeiro filme de resistência que elogia o adversário. É como se o Donald Trump financiasse um filme sobre o sucesso do socialismo na Venezuela!

(Bacurau, BRA, 2019) Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Elenco: Sônia Braga, Udo Kier, Barbara Colen, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Thardelly Lima, Rubens S. Santos, Wilson Rabelo, Luciana Souza, Karine Teles, Allison Willow, James Turpin, Duração: 132 min.

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