Trama Ao Vivo

A ZeroZen esteve presente nas três últimas edições do projeto Trama ao Vivo, no Bar Opinião em Porto Alegre. O evento tinha como objetivo apresentar o ‘cast’ da gravadora ao público gaúcho. Apesar de alguns velhos conhecidos, que não necessitavam de apresentação, a grande maioria das atrações nunca tinha tocado antes por essas bandas.

O projeto contou com apresentações de Tom Zé, Wilson Simoninha, Pedro Mariano, Marky Mark, Thaíde & Dj Hum, Flu, Da Guedes entre outros. A julgar pelo que se viu no palco a Trama comete um erro bastante comum nas gravadoras independentes nacionais: investe em artistas de estilos variados, ao invés de procurar um filão próprio.

Em geral, gravadoras ou selos independentes servem para cobrir um segmento de mercado, que não tenha interesse para as grandes gravadoras. A Trama além de uma fixação em filhos de artistas famosos— o que não representa de forma alguma um segmento ou mesmo garantia de talento— atira para tudo quanto  é lado, sem acertar uma vez só o alvo.

Mas, pensando bem, a Trama investiu num segmento de mercado com características bem definidas: o de artistas sem futuro.

17/10
Noite dos malucos de carteirinha e do Pedro Mariano que errou de noite e, possivelmente, de profissão.

Flu - Flu, (ex-Flávio Santos, ex-baixista do DeFalla) faz atualmente uma espécie de bossa-nova eletrônica que deve ser muito interessante no Japão, mas para o resto da humanidade é um verdadeiro pé no saco. Sua apresentação de positivo só teve a duração: curta. Isso é o que dá a convivência com o Edu K...

Wander Wildner – Pois é, nem ficando entorpecido bebendo vinho(cerveja também serve) dá para atuar o show de Wander Wildner. O ex-vocalista da seminal banda punk gaúcha Replicantes investe na carreira de cantor de baladas populares, uma espécie de cover hardcore de Odair José sem muito sucesso.

Pedro Mariano – O que dizer de Pedro Camargo Mariano? O cara é filho da falecida Elis Regina e do César Camargo Mariano, logo nada de bom poderia sair daí. Tanto que Mariano saiu, merecidamente, vaiado do palco do Opinião. Vai com Deus meu filho.

Tom Zé – Que o Tom Zé é maluco, e de carteirinha, disso todo mundo sabe. Até dinheiro(notas de 1 dólar!) ele já rasgou no palco. Hoje ele se contenta apenas em rasgar jornal— se for para rasgar os jornais locais a ZeroZen até ajuda— com a insistência típica daqueles que tem macaquinhos no sótão. O público descolado da noite achou o máximo, o que prova que até para ser maluco precisa ter experiência hoje em dia. Esse pessoal tem de sobra.

24/10
Talvez a noite mais fraca do evento. Duas bandas padrão MTV(no brains inside), e Marcelo Bonfá tentando ser cover da Legião Urbana. Como se já não existisse gente demais tentando fazer isso...

Fu Wang Foo – Única representante gaúcha da noite. O Fu Wang Foo(?!) é uma dessas bandinhas da nova safra do rock nacional, mas tão medíocre que se leva mais tempo para aprender a pronunciar corretamente o nome da banda do que para esquecê-los. Isso se você se der ao trabalho, é claro.

Rumbora – Existe coisa mais triste que ser um Charlie Brown Jr. Cover? Existe: ser Rumbora Cover. Como ainda não existe nada parecido o pessoal do Rumbora até que se esforça bastante, mas não tem muito o quê apresentar. A impressão que fica é que eles acabam sofrendo do mal que atinge 99% das bandas nacionais: falta de identidade.

Marcelo Bonfá – O ex-baterista da Legião como vocalista é um baterista medíocre. Sem presença de palco e com um vocal monocórdio quase inteligível, Bonfá consegue ser mais chato que a encomenda. O único momento interessante do show foi o cover de "Creep" do Radiohead. Perfeita para sintetizar a noite.

31/10
Uma das noites mais esdrúxulas do projeto e também uma das mais concorridas. A distribuição gratuita de convites pela Trama contribuiu bastante para isso...

Max De Castro – Mais um representante do funk/soul carioca de plástico, na tradição de empulhadores como Claudio Zoli e outros. Não adiantou nem fazer cover de Jorge Ben. Pior show da noite, e numa noite com Júpiter Apple isso é um prodígio.

Otto – Foi surpreendente o melhor show da noite, pensando bem com uma concorrência como essa até que ficou fácil. Menos eletrônico e sem muita embromação até que as músicas do disco de estreia de Otto " Samba Para Burro" funcionam ao vivo. Isso se você já estiver bêbado o suficiente. Poderiam ter encerrado a noite por aqui, mas o pior ainda estava por vir...

Júpiter Apple – Júpiter Apple(ex-Maça) é um daqueles mistérios indecifráveis que surgem de tempos em tempos. Como, por exemplo: por quê o refrigerante de 2 litros é mais barato que o de 600 ml? E coisas assim. Desde que mudou o seu sobrenome para Apple e começou a cantar num inglês de cursinho— na tola pretensão de conquistar o mercado internacional(?!)— Júpiter deixou ser uma curiosidade antropológica para se tornar mais uma piada local. Ao menos ele é original conseguiu criar para si um novo rótulo: o psicodelismo de plástico...