Marvel's Spiderman PS4

Marvel's Spiderman é o melhor jogo do Homem Aranha. Mas isso não significa muita coisa. Até por que a quantidade de jogos horríveis estrelados pelo cabeça de teia é imensa. Mas a produtora Insomniac (de Ratchet & Clank) fez o dever de casa. Basicamente copiou tudo que já sido tinha feito antes, mas acrescentou bons gráficos e uma história minimamente aceitável.

Antes que o Zeronauta acuse esta impoluta revista de não dar nome aos bois, esses são alguns jogos do Spiderman lançados nos anos 2000: Spiderman 2 (2004), Spiderman: Web of Shadow (2008), Spiderman: Shattered Dimensions (2010), Spiderman: Edge of Time (2011), The Amazing Spiderman (2012) e The Amazing Spiderman 2 (2014). Todos eles, sem exceção, são muito fracos. O roteiro, na maioria das vezes, é banal. Para piorar as coisas, o combate é repetitivo.

Justamente nesse ponto, Spiderman dá conta do recado. O combate é equilibrado e muitas vezes necessita de um pouco de estratégia. Os inimigos não facilitam as coisas. Quando o Spiderman invade um esconderijo é interessante usar técnicas de stealth antes de partir para a pancadaria pura e simples. Curiosamente, existe um defeito clássico desse tipo de combate. Ou seja, ao ser atacado por multíplos inimigos algum deles pode ficar fora do ângulo de visão da câmera, o que leva o jogador a receber um ataque inesperado. Acredite quem quiser, isso não acontece em Spiderman.

Como Insomniac resolveu esse problema? Usou magia negra? Descobriu uma solução inédita? Não. Nada disso. O sentido aranha avisa quando vai haver um ataque, o que dá um certo equilíbrio. Faz sentido em relação ao personagem e já foi usado amplamente em outros jogos da franquia. Diga-se de passagem, o combate foi feito para ser aéreo. O Homem-Aranha não luta bem no chão. É de se espantar que o personagem erga toneladas de entulho em uma cena e sofra para vencer capangas da máfia em outra.

O começo do game é um verdadeiro click-bait. A batalha contra o Rei do Crime é bem-feita e introduz os principais movimentos e golpes do jogo. É tanto combo que até parece um Street Fighter da vida. Quando o jogador pensa que vai viver um momento épico atrás do outro, a Insomniac pisa no freio e passa a desenvolver os personagens. No caso de Peter Parker é explorado o seu lado cientista com puzzles para resolver. É chato porque quebra o clima, mas não chega a irritar.

Porém, as missões com Mary "Lois" Jane ou Miles Morales são completamente desnecessárias. Como eles não têm superpoderes, o jogo simplesmente "desliga" a inteligência artificial dos inimigos e permite que o jogador avance. Cada um desses momentos poderia ter sido resolvido facilmente com uma cutscene. O mais incrível é que as missões do outros personagens geram experiência para o Homem-Aranha!! Isso prova que a ideia não faz o menor sentido (além de transformar o Spiderman em uma espécie de cafetão de coadjuvantes).

Em tempo, Insomniac tomou imensas liberdades criativas. Por isso, a atriz-modelo-manequim Mary Jane virou uma intrépida repórter (aparentemente todo mundo é jornalista em Nova Iorque). Outros personagens (como os vilões) também tiveram alterações nas origens e motivações. Ou seja, é praticamente igual só que completamente diferente.

As alterações feitas, de certa forma, são fiéis ao espírito do personagem. O problema é que esses momentos contemplativos seguem por quase dois terços do game. É a parte na qual se explora a cidade, se resolve as missões secundárias e se realiza uma série de atividades urbanas. Vale dizer que em uma das missões secundárias o cabeça de teia persegue pombos pela cidade! É o verdadeiro fim de carreira para um herói. Mas esse é um sujeito que já combateu o crime com um saco de papel na cabeça (vá no Google e digite Bagman Spiderman).

Já no terço final o game acelera e pancadaria toma conta. A essa altura o Homem-Aranha já deve ter evoluído bastante de nível e ter um traje favorito. Sim, Spiderman tem alguns elementos de customização interessantes. São vários trajes com poderes especiais. Os melhores são: a explosão de teias, que cola a maioria dos inimigos na parede; e o spider parça, na verdade é nome bonito para um drone, que dispara rajadas elétricas nos inimigos. Coisa linda se ver.

Além de escolher o traje, é possível mudar o poder a ele atribuído. Além disso, o jogo permite evoluir diferentes espécies de dispositivos. Para quem gosta é um prato cheio. O restante da humanidade vai escolher um traje e se manter nele até o final. Há realmente muita coisa a ser feita. O jogador pode ser o verdadeiro amigão da vizinhança resolvendo todo e qualquer problema ou ser um Homem-Aranha cidadão de bem deixando a polícia resolver os problemas e se concentrando na história principal.

O jogo se tornou um dos exclusivos mais vendidos do PS4 com uma certa justiça. Há uma homenagem a Stan Lee, há J. Jonah Jameson roubando a cena de novo, há várias mudanças na mitologia sem alterar o essencial. Até mesmo na utilização das viagens rápidas pelo mapa se vê o esforço em captar o espírito do personagem.

Um exemplo desse respeito da Insomniac ao personagem pode ser visto no meio uma conversa na casa de Mary Jane. Surge uma emergência e Peter Parker volta a ser o Spiderman. Então, veste o uniforme e se prepara para pular pela janela. Só que a mocinha pede para que ele dobre as roupas antes de sair. Poucas coisas representam tão bem o Homem-Aranha...

Em tempo, esse é mesmo jogo do novo milênio. Então, o Spiderman pode tirar selfies!

DLCs
Marvel's Spider-Man : The Heist
Achou que ia jogar charme pra cima da Gata Negra? Achou errado, otário. Só comprando o DLC. É o tipo de situação que já foi explorado várias vezes em inúmeros games do cabeça de teia. Como sempre, o Homem Aranha se concentra mais no carisma da gata do que na missão. Nunca dá certo...

Marvel's Spider-Man : Turf Wars
Guerra de gangues. Bastante pancadaria e ação. Um novo inimigo na cidade. Mas, verdade seja dita, conta com uma surpresa - um pouco forçada - no final.

Marvel's Spider-Man : Silver Lining
Oferece um fechamento apenas razoável para as pontas soltas dos outros DLCs. Faça uma parceria e derrote o vilão.

Pros: Andar pela cidade com teias
Combate fluido e eficiente
Toneladas de coisas para fazer
História diferente

Contras: Missões secundárias ridículas (perseguir pombos?!)
Início bem lento
Missões com Mary Jane e Miles Morales
Alguns combates com os chefões poderiam ser mais épicos

Saulo Gomes

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