Tom Clancy's The Division 2

Acredite quem quiser, esse jogo terminou como um dos mais vendidos no mês de fevereiro na PSN. O motivo? Inacreditáveis 95% de desconto no preço. Sim, essa foi uma rara oportunidade de pegar um game triple A por um dígito. O que, é claro, já depõe contra a qualidade do jogo. Mas, como não tá fácil pra ninguém, The Division 2 voltou ao centro das atenções.

Tom Clancy's The Division 2 faz parte de uma tendência, que permanece bastante atual na nova geração, de obrigar o jogador a fazer um update monumental antes de poder jogar um novo game. Ou seja, depois de gastar seu sofrido dinheiro, você acaba por descobrir que o jogo ainda não estava pronto na data de lançamento. Tanto que precisa baixar atualizações de 100 GB!! Tudo para, no fim das contas, descobrir que não valia a pena todo esse esforço. Mais ainda: se você tem um Playstation com 500 GB de armazenamento (Deus tenha piedade da sua alma) um quinto de todo o espaço será ocupado por um único game. Será que vale a pena?

Bem, The Division 2 é um looter shooter. Para quem não sabe, são aqueles games que mesclam mecânicas de tiro (shooter) com a obtenção de itens ao longo da história (loot, que, para quem fez curso de inglês em EAD, signfica "saquear"). Nesse quesito Borderlands permanece imbatível.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que The Division 2 se passa 7 meses após os eventos ocorridos no primeiro título (que, aliás, teve problemas no lançamento e preciso de updates gigantescos). Só que em vez em de Nova Iorque a aventura se passa em Washington D.C., a capital dos Estados Unidos.

A história definitivamente não é o foco em The Division, mas o apocalipse da vez aconteceu em uma Black Friday. Terroristas com um certo senso de humor colocaram uma variação do vírus da varíola em notas de dólar. Como o feriado é um dos ápices do capitalismo nos EUA, muitas pessoas terminam contaminadas. Em tempo, o vírus foi chamado de Veneno Verde ou Gripe do Dólar. A crise avança, os hospitais ficam superlotados, os serviços básicos começam a falhar e tudo se vai ladeira abaixo. A mesma coisa que acontece em toda terça-feira de carnaval no Brasil.

Enfim, o governo resolve reagir criando um esquadrão de elite (a Divisão). Esses "soldados" têm ordens para eliminar as gangues que passaram a dominar as ruas. Como o próprio game diz: “Lutando para prevenir a queda da sociedade e ordenar novamente a cidade, os agentes irão dar por si dentro de uma conspiração internacional, forçados assim a combater não apenas um vírus criado pelo homem, mas também as ameaças daqueles que o soltaram. Quando tudo entra em colapso, a missão da Divisão começa.”

O jogador faz o papel de um dos agentes da Divisão. Há uma possibilidade excessiva de customização do personagem (até escolher, por exemplo, o tipo de tatuagens). Existe quem goste desse tipo de coisa. Mas se esse for o seu apelo para jogar, a ZeroZen sugere que você vá participar da São Paulo Fashion Week, pois jogatina não é o seu forte...

O game mistura mundo aberto com elementos de RPG. Por exemplo, no meio de um combate sangrento, você consegue um belo headshot. O inimigo não cai no chão. Ele recebe um dano crítico representado por números. Também existem dois slots para serem preenchidos por equipamentos de combate. A escolha pode ser optar por um estilo mais agressivo ou tentar evitar o confronto direto. A variedade de armas é boa, como se espera em um jogo do gênero. Ao longo das missões é possível evoluir o seu personagem e quando a gente adquire mais níveis, recebe pontos que nos permitem abrir mais gadgets e, por consequência, testar novos estilos de jogo.

Como a história é fraca e a jogabilidade apenas razoável, o grande destaque de The Division 2 fica por conta dos cenários. A interação do personagem com o ambiente foi bem trabalhada. Outra questão que mereceu algum destaque foi a Inteligência Artificial dos inimigos. O jogo é bem mais difícil do que parece. Mas basta prestar atenção no local da luta (e usar isso a seu favor).

The Division 2 conta com cerca de 9 setores. Cada um representa um tipo diferente de dificuldade. Mas depois de algumas missões começa a surgir aquele sentimento de repetição. Muito por culpa da falta de cuidado com a história. Rapidamente, as missões vão perdendo a força, pois o jogador não se conecta com o personagem. É tudo muito raso, muito banal e repetitivo.

Claro, a ideia do jogo é fazer o jogador se sentir importante para a reconstrução de Washington. Ele vai coletar recursos, ajudar quem precisa montar e proteger bases. Também vai atirar à vontade e acabar com as gangues. Ou seja, é o verdadeiro orgulho patriótico americano. O restante da humanidade - principalmente os brasileiros - vai pensar assim: que se dane a capital dos EUA. Ainda bem que eles não atacaram a Flórida...

J. Tavares

P.S.: Outro problema desse jogo é que ele devia ser passado na década de 70 ou 80! Quem é que ainda usa dinheiro de papel nos dias de hoje? Possivelmente apenas prostitutas e traficantes, mas estou divagando...

Prós: Ambientação caprichada de Washington;
Boa variedade de armas;

Contras:
Missões repetitivas;
História fraca;

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