Call of Duty 4: Modern Warfare

Deve ser um sinal dos tempos, pois finalmente a série Call of Duty abandonou o lucrativo e praticamente inesgotável filão dos jogos passados na Segunda Guerra Mundial. Isso ou os desenvolvedores descobriram vilões à altura dos nazistas. Em Call of Duty 4: Modern Warfare, como o subtítulo já entrega, a série investe num combate armado mais contemporâneo. E como não poderia deixar de ser, restou apenas chutar a bola da vez: grupos terroristas do oriente médio.

Desenvolvido novamente pela Infinity Ward e distribuído pela Electronic Arts, COD 4 tem um o modo de single player mais curto da série, pouco mais de 4 horas. Mas em compensação o modo multi-player certamente é capaz de garantir a longevidade do jogo por bem mais tempo.

O modo single player é dividido em três atos distintos, onde você controla ás vezes um oficial britânico da SAS, noutras um sargento americano. A história de fundo é meramente funcional e pouco relevante. Ao terminar o modo single player pela primeira você libera o modo 'arcade', que mal justifica uma segunda incursão pelo jogo.

A jogabilidade aperfeiçoa a fórmula de Call of Duty 2, que estabeleceu uma espécie de corrida de checkpoints para jogos de tiro em primeira pessoa. Onde o jogador precisa enfrentar levas de inimigos desovadas infinitamente até alcançar um ponto de referência qualquer. O que torna mais importante chegar ao checkpoint do que matar todos inimigos num mapa. Mas ao menos Call of Duty faz isso muito bem, ao contrário, digamos, daquela série sobre medalhas e honra.

Uma coisa que o jogador precisa ter em mente sobre Call of Duty 4 é que, apesar de passado nos dias atuais, o jogo não é outro Ghost Recon da vida. Aqui não tem aquela história de um tiro bem dado e você está morto. COD 4 é um jogo de ação, no qual os desenvolvedores trabalharam bastante para que jogador não tenha um momento sequer de sossego. Leia-se para agradar o público usuário de consoles.

Outra diferença entre Call of Duty e a série de Tom Clancy é que em COD 4 seus side-kicks, companheiros de batalha, servem para alguma coisa. Tipo valeu parceria. Mas esse pessoal vai colaborar na hora de fazer uma intera para pagar pelo jogo também? Na verdade seus companheiros são indestrutíveis. O que realmente não ajuda nada no quesito realismo.

Para compensar a brevidade do single player os desenvolvedores focaram grande parte do jogo no modo multiplayer. Esse tipo estratégia costuma às vezes sair pela culatra, mas aqui se revelou vencedora. O multiplayer de Modern Warfare é um dos melhores lançados nos últimos anos. E é direcionado tanto para quem nunca se aventurou numa partida online quanto para veteranos. O multiplayer suporta até 18 jogadores online e oferece ao usuário 5 classes diferentes de combate: Assault, Special Ops, Light Machine Gunner, Demolitions e Sniper. Todas disponíveis numa infinidade de modos como: Free For All, Team Deathmatch, Team Objective, Team Tactical, Search and Destroy, Headquarters, Domination, Sabotage, Team Hardcore, Old School, Oldcore, e Ground War.

Modern Warfare usa um engine gráfico de nova geração, baseado no do Quake 4 da id Software, mas que foi alterado pela própria Infinity Ward, de forma a garantir imagens e texturas quase cinematográficas. É interessante notar que graficamente o jogo talvez fique atrás só do Crysis. E levando em conta o engine em que foi baseado isso é um feito e tanto. Outro destaque é o som, que garante a imersão total no jogo.

Enfim não é por acaso que Call of Duty 4 foi o jogo eletrônico mais bem-sucedido do ano passado, vendendo bem tanto para os consoles de nova geração quanto para PC. O sucesso do jogo pode ser explicado em parte por seu apelo patriota. Afinal em COD 4 os americanos puderam finalmente fazer uma guerra contra o terror e não ter que se preocupar com quem vai pagar por ela. Sem falar que se os insurgentes tivessem tantos soldados, armas e munição os Estados Unidos talvez tivessem uma justificativa real para invadir o Iraque...

Mas deixando as picuinhas terroristas de lado Call of Duty 4 é sem dúvida um dos melhores jogos de tiro em primeira pessoa da chamada nova geração. Isso num gênero saturado por novos lançamentos absolutamente medíocres. O que talvez explique muita coisa.

Saulo Gomes

Prós: Excelente apresentação e um dos melhores multiplayers dos últimos anos.
Contra: Single player curto. Mas bota curto nisso. Essa fórmula de corrida de checkpoints deve ser abortada o mais rápido possível.

Requisitos Mínimos:
2.4 GHz
1 GB RAM XP, 2 GB RAM Vista
Placa de vídeo de 256 MB compatível com DirectX 9.0c