Chutando Cachorro morto: Zerou, o caderno adolescente da ZH


No dia 25 de fevereiro de 2002, circulou a última edição do caderno Zerou, do jornal Zero Hora. A única pergunta possível nesse momento era: como algo tão ruim, tosco, pífio e patético conseguiu durar três anos? Esse é mais um daqueles fracassos que todo mundo quer esquecer, mas a ZeroZen faz questão de lembrar.

A história do Zerou começou no dia 13 de agosto de 1999. Pasmem era uma sexta-feira. Ou seja, não tinha como dar certo mesmo. Enfim, o caderno era destinado aos leitores de 12 a 17 anos. Reza a lenda que uma consultora paulista (da revista Capricho) veio até o Rio Grande do Sul dar dicas do que os adolescentes queriam.

A resposta da Zero Hora foi texto, muito texto. Aliás, toneladas de texto. Imagens? Pra quê. Internet? Coisa de velho. Videogame? Coisa de nerd. Esportes? Nem pensar. O que todo adolescente sonha mesmo é com um calhamaço gostoso. O Caderno Zerou trazia seções como sexo, atualidades, comportamento, testes, cartas, entre outras.

O caderno tinha nada menos que 16 páginas. Todas elas precisam ser ocupadas com o máximo de texto possível. A linguagem era de gente velha querendo ser adolescente. Era o ápice da vergonha alheia. Anos depois o Globo Esporte RS conseguiria superar esse feito. Mas o Zerou - em sua existência - acumulou erros. Por exemplo, apesar de Zero Hora ter alcance regional, o caderno estava absurdamente concentrado na capital. Ou seja, os adolescentes do interior só eram levados a sério quando vinham para a capital fazer faculdade.

A primeira edição do caderno Zerou, trouxe como primeira chamada de capa uma matéria de comportamento, que dizia assim: “Dicas e histórias de quem teve medo e frio na barriga antes do primeiro encontro”. Alguém se lembrou da Capricho? Pois é...

O Zerou deixou de circular pelos motivos óbvios, não estava mais atraindo anúncios para as suas páginas. Por que isso aconteceu. Bem, talvez os jovens estivessem muito mais interessados em descobrir algo chamado Internet do que ficar lendo textão. Ainda mais um texto que fedia a naftalina. O caderno tinha o hábito de colocar citações de escritores nas páginas. Um dos autores escolhidos foi Hermann Hesse! Sério? Que adolescente vai ler esse tipo de livro?!

Curiosamente, o Zerou foi substituído pelo o Patrola (veiculado de 30 de janeiro de 2004 até 06 de abril de 2007). Era ruim? Claro. Mas pelo menos fazia um esforço melhor para atingir o público jovem. Depois a Zero Hora ainda insistiria com o Kzuka na Zero. Mas todos fracassaram no seu objetivo principal. Ou seja, fazer com que os jovens gostassem de ler jornal. E atualmente o público cativo do jornal prefere gastar seus trocados em um jogo de bingo em um asilo para idosos...

O mais incrível, no entanto, foi o fato de que existiram dois fã-clubes do caderno: o Geração Zerou, com aproximadamente 1.300 membros, e o Galera Zerou, com 500. Todo esse pessoal nunca chegou na faculdade. Afinal de contas, todos mundo Zerou na prova...

Da Equipe Articulistas